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  • Dani Munira

Pretos, flores e afeto.

“Nunca recebi flores”. Esse foi um dos gatilhos para esse texto. Recentemente acompanhei uma discussão sobre flores, amor romântico e pessoas negras no Twitter. De um lado, alguns falando que flores são superestimadas, que representa a idealização do amor romântico, da princesa e o príncipe que não existem. De outro, pessoas negras que nunca tiveram contato individual com esse tipo de narrativa...isso lhes foi negado.

Ah, válido lembrar que isso aqui é sobre afeto, independente de onde venha.

Quando pensamos na representação das flores, geralmente vem logo à mente: pureza, amor, beleza...

O questionamento que paira sempre é: “por que não eu? Não mereço isso?”

Solidão. Hiperssexualização. Animalização. Corpos colocados sempre em espaço de fetiche, punição e servidão.

Cansaço.

Cansaço de uma vida tendo que enfrentar, superar preconceitos e traumas.

Cansaço por não ser visto enquanto merecedor.

E se eu fosse branco?

E se eu fosse branca?

Anos para reconstruir a autoestima, segundos para que dúvidas sejam criadas.

Muito tempo para construção de relações afetivas estáveis(de qualquer espécie), para então...se sentir facilmente substituível. E se não, substituído(a) também.

Aqui fala uma mulher preta, que diversas vezes lidou com isso.

E eu mereço o amor.

Mereço amor daqueles de cinema, sabe? Mas sem tragédia. Não quero novela.

Quero ganhar chocolate, massagem, ser convidada pra jantar, ir pro churrasco na casa da sogra...eu mereço. Mereço amigos que me apoiem, que me levantem, que me ouçam, que falem comigo! Sem picuinha adolescente. E você? Tá preparado(a) pro amor que merece?

Afinal, o que flores significam pra você?

Você já recebeu flores?

Você já DEU flores?



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